Praça do Município
Este é um espaço de discussão cívica, na prossecução dos maiores interesses do Concelho de Oliveira do Bairro. Todos os contributos são importantes e todas as "cores" são bem-vindas.
12
Mai 10

 

Oliveira do Bairro não fugiu à regra. Por todo o concelho, como por esse mundo fora, foram inúmeros os portadores de bandeiras, cachecóis ou simples panos vermelhos que celebraram a vitória do mcm, em clima de apoteose, colorido com fogos de artifício, buzinões, cortejos automóveis e travagens bruscas. Foi a confirmação da boa nova anunciada antes de a época futebolística se iniciar ou seja, que em 2009 / 2010 o lugar cimeiro da primeira liga de futebol foi obtido por um clube que, nos últimos anos, só pontualmente tem ocupado esta posição do podium.

 

Muito se tem falado do mérito desta classificação, muito se tem dito sobre arbitragens premeditadas e castigos conluiados, e do facto de a comunicação social, que até já tinha anunciado o vencedor ainda antes de a competição se ter iniciado, ter sido um parca e parcimoniosa em exponenciar o desiderato alcançado pelo mcm, com aquela que dizem ser a maior pontuação de sempre desde que às vitórias são atribuídos 3 pontos em campeonatos com 16 clubes.

 

Pois muito bem: para memória futura, e para que conste, importa que se diga que o mcm terminou o campeonato com nada mais nada menos do que 8 (oito!!!) pontos que o anterior campeão, tantos quantos foram perdidos frente aos despromovidos Belenenses (no Dragão) e Leixões (em Matosinhos), e aos aflitos Paços de Ferreira e Olhanense (em casa): ou seja, apesar da anormal impreparação com que enfrentaram a época e da imprevisível onda de lesões, não tivesse o FCPorto perdido estes pontos, e lá terminaria no lugar cimeiro da classificação, com o mesmo número de pontos do nóvel campeão graças à vantagem que lhe conferiria a vitória (3-1) obtida na penúltima jornada, assim alcançando os até agora inimagináveis 76 pontos!!! E isto, claro, para não dizer o que quer que seja sobre a actuação do Conselho de Disciplina, ou de algumas pontualíssimas decisões da arbitragem, que de forma flagrante se intrometeram na atribuição do troféu ao melhor marcador, e determinaram a pontuação final de alguns dos contendores.


Para que se perceba a dimensão da estrondosa vitória alcançada pelo mcm, nada como uma pequena aula de história para recordar alguns factos e avivar a mente dos que, nestas alturas, são acometidos de súbita amnésia:

77/78: FCPorto 1º; mcm 2º (mesmos pontos)
78/79: FCPorto 1º; mcm 2º (- 1 ponto)
79/80:
FCPorto 2º: mcm 3º (- 5 pontos)

80/81: mcm 1º; FCPorto 2º (- 2 pontos)
81/82: mcm 2º; FCPorto 3º (- 2 pontos)
82/83: mcm 1º; FCPorto 2º (- 4 pontos)
83/84: mcm  1º; FCPorto 2º (- 3 pontos)
84/85: FCPorto 1º; mcm 3º (- 12 pontos)
85/86:
FCPorto 1º; mcm 2º (- 2 pontos)
86/87: mcm 1º
; FCPorto 2º (- 2 pontos)
87/88: FCPorto 1º; mcm 2º (- 15 pontos)
88/89: mcm 1º
; FCPorto 2º (- 7 pontos)
89/90: FCPorto 1º: mcm 2º (- 4 pontos)

90/91: mcm 1º; FCPorto 2º (- 2 pontos)

91/92: FCPorto 1º; mcm 2º (- 10 pontos)

92/93: FCPorto 1º; mcm 2º (- 2 pontos)

93/94: mcm 1º; FCPorto 2º (- 2 pontos)

94/95: FCPorto 1º; mcm 3º (- 15 pontos)

95/96: FCPorto 1º; mcm 2º (- 11 pontos)

96/97: FCPorto 1º; mcm 3º (- 27 pontos)

97/98: FCPorto 1º; mcm 2º (- 9 pontos)

98/99: FCPorto 1º; mcm 3º (- 14 pontos)

99/00: FCPorto 2º; mcm 3º (- 4 pontos)

00/01: FCPorto 2º; mcm 6º (- 22 pontos)

01/02: FCPorto 3º; mcm 4º (-  5 pontos)

02/03: FCPorto 1º; mcm 2º (- 11 pontos)

03/04: FCPorto 1º; mcm 2º (- 8 pontos)

04/05: mcm 1º; FCPorto 2º (- 3 pontos)

05/06: FCPorto 1º; mcm 3º (- 12 pontos)

06/07: FCPorto 1º; mcm 3º (- 2 pontos)

07/08: FCPorto 1º; mcm 4º (- 13 pontos)

08/09: FCPorto 1º; mcm 3º (- 11 pontos)


Em resumo: desde a época 1977 / 1978, o terceiro classificado da época agora finda conseguiu 19 primeiros lugares, 11 segundos lugares e 2 terceiros lugares; nada de especial, comparado com os 8 PRIMEIROS LUGARES, 11 SEGUNDOS LUGARES, 10 TERCEIROS LUGARES, 2 QUARTOS LUGARES e 1 SEXTO LUGAR alcançado pelos actuais campeões.

 

Passando às minudências, e reportando a factos ocorridos apenas a partir do início da década de 90 para evitar ser fastidioso, temos que:

  • a média de diferença de pontos entre os dois clubes em anos em que o FCPorto foi campeão, é de 11,15 pontos; uma diferença praticamente irrelevante quando comparada com a dos anos em que o campeonato foi ganho pelo vencedor deste ano, cuja média de diferença de pontos é de 2,333;
  • quanto a golos, neste período, o mcm marcou 1152 GOLOS, ou seja apenas 115 golos a menos do que o FCPorto que facturou 1267 GOLOS;
  • em relação a golos sofridos, as contas do FCPorto estão em 413 GOLOS SOFRIDOS e as do mcm saldam-se em 532 GOLOS SOFRIDOS, ou seja, uma simbólica diferença de 119 GOLOS SOFRIDOS a mais;
  • relativamente a vitórias, o FCPorto neste período, conseguiu um registo de 457 VITORIAS, contra 389 VITÓRIAS do mcm, o que dá uma diferença de apenas 98 vitórias a menos do que o FCPorto.
  • sobre derrotas, o FCPorto tem um registo de 68 DERROTAS, contras as 107 DERROTAS do mcm, ou seja, uma ligeiríssima diferença de apenas mais 39 DERROTAS.

Neste período, o FCPorto ainda teve tempo para vencer 1 Liga dos Campeões Europeus, 1 Taça UEFA e 1 Taça Intercontinental, sendo que a este nível e neste período, a estatística nada diz quanto a vitórias do mcm, uma vez que a sua grande prioridade era preparar a grande época que agora termina, tendo considerado irrelevantes as competições internacionais em que esteve envolvido.

 

Os que antes se deixam expostos são apenas alguns dos factos que provam que com a vitória do campeonato que agora findou, o mcm retoma a sua caminhada para voltar a ocupar a poltrona do futebol indígena em nome do desígnio nacional, apostando fortemente naquilo que melhor simboliza Portugal, desde o centralismo à macrocefalia endémica, num esforço insano em tornar contra-natura toda e qualquer predilecção futebolística que seja diferente. Para tanto, conta com a protecção de uma imprensa de cachecol que cumpre exemplarmente a sua obrigação ao bajular preconceitos paroquialmente centralistas, tendo os olhos bem abertos quando os autocarros do mcm são apedrejados ou quando os bancos de suplentes do mcm são atingidos, mas que olha para o lado e assobia perante situações que envolvem o incêndio de autocarros de outros clubes, apedrejamento de viaturas pessoais de dirigentes de outros clubes, ou ataques selváticos a equipas de hóquei de outros clubes, deixando atletas em estado comatoso, e que consideram tratar-se de um "recorde, porventura mundial, de tempo de jogo em superioridade numérica ao longo de uma temporada (…) que corresponde a 13% do tempo total da competição”, o facto de os adversários do mcm terem terminado doze dos seus jogos com menos uma ou até duas unidades - João Querido Manha in Record, 04/05/2010.

 

E para quem pense que o mais importante do futebol são os jogadores, deixa-se ao critério dos leitores a análise das palavras proferidas pelo presidente do sindicato dos jogadores profissionais que no próprio dia em que o mcm foi sagrado vencedor disse com o ar mais cândido do mundo que "o campeonato foi mais competitivo, teve mais qualidade e o facto de se resolver na última jornada, contribui para a modalidade ter maior expressão" depois de na época passada, a quatro jornadas do fim e quando o F.C.Porto já tinha encomendado as faixas de campeão, o mesmo cavalheiro ter sido lesto a dizer que “neste momento o nosso campeonato é um campeonato mentiroso. Os clubes têm de estar numa posição de igualdade e assumir as suas responsabilidades. Esse é o desejo para o futebol português. É preciso um futebol de verdade”.

 

É que, para quem não sabia, desde que o mcm se sagre campeão, tudo num ápice passa a estar bem: deixa de haver clubes com salários em atraso, a desigualdade é uma quimera e os campeonatos são absolutamente sérios e impolutos...

 

Para conhecimento, pode ver-se aqui a última classificação mundial de clubes publicada pela Federação Internacional da História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), a qual, cujos 33 primeiros posicionados apenas servem para enfeitar a lista, uma vez que o mcm ocupa o 34º lugar, ocupando o FCPorto um modestíssimo 12º lugar.

 

*mcm - melhor clube do mundo

 

Jorge Mendonça

(Sócio do FCPorto desde 1977)

publicado por pracadomunicipio às 18:15
12
Mai 10

 

 

 

O Líder da Bancada do PPD/PSD, teve a gentileza de nos enviar o seu Discurso da Cerimónia do 25 de Abril deste ano. Já passaram uns dias, mas vale sempre a pena ler o que a Geração Pós-Abril pensa da revolução.

 

"Exmo. Sr. Presidente

Minhas Senhoras e Meus Senhores

 

Como já vem sendo hábito o Município de Oliveira do Bairro , particularmente,  a Assembleia Municipal, primeiro pilar do Municipalismo (uma das grandes conquistas do 25 de Abril), presta a devida homenagem à revolução dos cravos e à geração que a levou a cabo.

 

Nesta que é a sessão solene das comemorações do 25 de Abril, e neste ano, gostaria de vos falar da Geração dos Filhos de Abril, da minha geração, aquela que ficou conhecida como a geração “Nestum com mel”.

 

Uma geração que cresceu e conheceu o conceito da solidariedade intergeracional, que conheceu e aceitou esse principio de que a geração presente pagará solidariamente a reforma e o apoio social à geração anterior…

 

Uma geração que depois de conhecer esse conceito solidário teve que interiorizar um outro, bem menos solidário, que seria o que este tal conceito funcionará para a nossa geração nada ficando garantido quando formos nós o passado e os nosso filhos o presente.

 

Quero fala-vos hoje, no dia da liberdade, desta geração dos filhos de Abril, que vive o drama do trabalho precário, que vive a mentira dos recibos verdes…

 

Uma geração inteiras que aprendeu que a formação, por si só, não garante nem trabalho, nem estabilidade financeira…que aprendeu que a formação pouco mais garantirá além da realização pessoal…

 

Essa geração que vive sobrecarregada com cargas fiscais injustas, porque nada garantem ou garantem muito pouco sobre o futuro. Essa geração que chega ao final de cada mês a olhar para os bolsos e a contar os euros que sobraram, para chegarem ao final do ano fiscal e pagarem impostos com os euros que não têm…

 

Esta geração “Nestum com mel” e a que se lhe seguiu, “a geração cerelac”, que vê a vergonha de um estado injusto porque penaliza fortemente aqueles que não têm como sobreviver e premeia meia dúzia de iluminados com prémios e ordenados que afrontam a própria dignidade humana, que revoltam esta geração que se desdobra em várias actividades para poder pagar conta e impostos…

 

Uma geração que trabalha e assume as suas responsabilidades sociais, fiscais e familiares… Uma geração inteira de empresários em nome individual, mas sem empresa, sem trabalho certo, sem protecção garantida, sem futuro auspicioso…

 

Mas se perguntarem a esta geração inteira de Portugueses se vale a pena a democracia? Se vale a pena esta democracia? Se valeu a pena o 25 de Abril?

 

Se me perguntarem a mim…claro que vale. Claro que sim…

 

E digo-vos porquê…

 

Se mais nenhum mérito se poder reconhecer, se mais nenhum mérito tiver (e tem, e são muitos) terá pelo menos o de permitir que um desses jovens “nestum com mel”, dos recibos verdes, das cargas fiscais injustas… que olha para os bolsos no final de cada mês… um desses como eu…

 

Que não têm ascendência nobre, que não tem um nome sonante de uma qualquer família imponente, ou uma conta bancária generosa, Um desses possa, neste dia, estar neste púlpito a dizer o que estou a dizer a uma plateia tão ilustre… E que o faça sem mordaças, ou constrangimentos… Com a legitimidade e respeitabilidade me lhe é conferida pela democracia…

 

Senhor Presidente, Minhas Senhoras e meus Senhores…

 

Em Abril conquistamos a liberdade, em Novembro a democracia e hoje, neste 25 de Abril, tantas décadas depois importa perceber que conquistamos uma outra coisa… a responsabilidade de sermos nós a decidir… a certeza de que somos nós, para o bem e para o mal os culpados…pelo presente e pelo futuro.

 

Somos todos, mas todos sem excepção vitimas de nós próprios,  das escolhas que tomamos, ou que não quisemos tomar…

 

Alguma coisa tem que ser feita… sob pena de se perder muito mais do que a democracia… sob pena de perdermos Portugal…

 

Escreveu Pessoa, na mensagem, “Cumpriu-se o mar e o império se desfez, falta cumprir-se Portugal” e hoje,  tantos anos depois… séculos depois… Portugal continua por cumprir… Sem mar…sem império… e quanto aos poetas… esses falam em ensaios sobre uma cegueira cujo expoente máximo é um jangada de pedra… a grande metáfora de uma nacionalidade perdida …a profetizarão do  fim da conquista nossa identidade, da nossa nacionalidade, assinada em tratado no ano  de 1143.

 

Ao longo de quase mil anos de história enquanto pais conseguimos sempre resistir…

 

Tentaram os Romanos, os Espanhóis, os Franceses, e até, de uma forma diferente, os Ingleses…e nenhum vergou a nossa dignidade e orgulho enquanto nação…

 

Será que depois de tantos tentarem derrotar-nos sem conseguirem vamos, finalmente, ser derrotados por nós próprios?

 

Espero que não… acredito que não…

 

Disse"

 

Nuno Barata

Líder da Bancada do PPD/PSD da Assembleia Municipal de Oliveira do Bairro

publicado por pracadomunicipio às 16:51
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