Praça do Município
Este é um espaço de discussão cívica, na prossecução dos maiores interesses do Concelho de Oliveira do Bairro. Todos os contributos são importantes e todas as "cores" são bem-vindas.
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Mai 10

 

 

 

O Líder da Bancada do PPD/PSD, teve a gentileza de nos enviar o seu Discurso da Cerimónia do 25 de Abril deste ano. Já passaram uns dias, mas vale sempre a pena ler o que a Geração Pós-Abril pensa da revolução.

 

"Exmo. Sr. Presidente

Minhas Senhoras e Meus Senhores

 

Como já vem sendo hábito o Município de Oliveira do Bairro , particularmente,  a Assembleia Municipal, primeiro pilar do Municipalismo (uma das grandes conquistas do 25 de Abril), presta a devida homenagem à revolução dos cravos e à geração que a levou a cabo.

 

Nesta que é a sessão solene das comemorações do 25 de Abril, e neste ano, gostaria de vos falar da Geração dos Filhos de Abril, da minha geração, aquela que ficou conhecida como a geração “Nestum com mel”.

 

Uma geração que cresceu e conheceu o conceito da solidariedade intergeracional, que conheceu e aceitou esse principio de que a geração presente pagará solidariamente a reforma e o apoio social à geração anterior…

 

Uma geração que depois de conhecer esse conceito solidário teve que interiorizar um outro, bem menos solidário, que seria o que este tal conceito funcionará para a nossa geração nada ficando garantido quando formos nós o passado e os nosso filhos o presente.

 

Quero fala-vos hoje, no dia da liberdade, desta geração dos filhos de Abril, que vive o drama do trabalho precário, que vive a mentira dos recibos verdes…

 

Uma geração inteiras que aprendeu que a formação, por si só, não garante nem trabalho, nem estabilidade financeira…que aprendeu que a formação pouco mais garantirá além da realização pessoal…

 

Essa geração que vive sobrecarregada com cargas fiscais injustas, porque nada garantem ou garantem muito pouco sobre o futuro. Essa geração que chega ao final de cada mês a olhar para os bolsos e a contar os euros que sobraram, para chegarem ao final do ano fiscal e pagarem impostos com os euros que não têm…

 

Esta geração “Nestum com mel” e a que se lhe seguiu, “a geração cerelac”, que vê a vergonha de um estado injusto porque penaliza fortemente aqueles que não têm como sobreviver e premeia meia dúzia de iluminados com prémios e ordenados que afrontam a própria dignidade humana, que revoltam esta geração que se desdobra em várias actividades para poder pagar conta e impostos…

 

Uma geração que trabalha e assume as suas responsabilidades sociais, fiscais e familiares… Uma geração inteira de empresários em nome individual, mas sem empresa, sem trabalho certo, sem protecção garantida, sem futuro auspicioso…

 

Mas se perguntarem a esta geração inteira de Portugueses se vale a pena a democracia? Se vale a pena esta democracia? Se valeu a pena o 25 de Abril?

 

Se me perguntarem a mim…claro que vale. Claro que sim…

 

E digo-vos porquê…

 

Se mais nenhum mérito se poder reconhecer, se mais nenhum mérito tiver (e tem, e são muitos) terá pelo menos o de permitir que um desses jovens “nestum com mel”, dos recibos verdes, das cargas fiscais injustas… que olha para os bolsos no final de cada mês… um desses como eu…

 

Que não têm ascendência nobre, que não tem um nome sonante de uma qualquer família imponente, ou uma conta bancária generosa, Um desses possa, neste dia, estar neste púlpito a dizer o que estou a dizer a uma plateia tão ilustre… E que o faça sem mordaças, ou constrangimentos… Com a legitimidade e respeitabilidade me lhe é conferida pela democracia…

 

Senhor Presidente, Minhas Senhoras e meus Senhores…

 

Em Abril conquistamos a liberdade, em Novembro a democracia e hoje, neste 25 de Abril, tantas décadas depois importa perceber que conquistamos uma outra coisa… a responsabilidade de sermos nós a decidir… a certeza de que somos nós, para o bem e para o mal os culpados…pelo presente e pelo futuro.

 

Somos todos, mas todos sem excepção vitimas de nós próprios,  das escolhas que tomamos, ou que não quisemos tomar…

 

Alguma coisa tem que ser feita… sob pena de se perder muito mais do que a democracia… sob pena de perdermos Portugal…

 

Escreveu Pessoa, na mensagem, “Cumpriu-se o mar e o império se desfez, falta cumprir-se Portugal” e hoje,  tantos anos depois… séculos depois… Portugal continua por cumprir… Sem mar…sem império… e quanto aos poetas… esses falam em ensaios sobre uma cegueira cujo expoente máximo é um jangada de pedra… a grande metáfora de uma nacionalidade perdida …a profetizarão do  fim da conquista nossa identidade, da nossa nacionalidade, assinada em tratado no ano  de 1143.

 

Ao longo de quase mil anos de história enquanto pais conseguimos sempre resistir…

 

Tentaram os Romanos, os Espanhóis, os Franceses, e até, de uma forma diferente, os Ingleses…e nenhum vergou a nossa dignidade e orgulho enquanto nação…

 

Será que depois de tantos tentarem derrotar-nos sem conseguirem vamos, finalmente, ser derrotados por nós próprios?

 

Espero que não… acredito que não…

 

Disse"

 

Nuno Barata

Líder da Bancada do PPD/PSD da Assembleia Municipal de Oliveira do Bairro

publicado por pracadomunicipio às 16:51
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